TERESINA (PI) — Em Brasília, Ciro Nogueira (PP-PI) assume a figura do opositor contundente: presidente nacional do Progressistas, ex-ministro da Casa Civil da gestão Jair Bolsonaro e aliado de influentes nomes do cenário conservador. Contudo, ao desembarcar no Piauí, sua base eleitoral, a postura do senador passa por uma metamorfose estratégica diante da realidade política local.
Com o Partido dos Trabalhadores (PT) à frente do governo do estado há mais de duas décadas — hegemonia iniciada com a eleição de Wellington Dias em 2002 — e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ostentando quase 77% dos votos válidos obtidos no Piauí no segundo turno de 2022, bater de frente com o petismo em solo piauiense tornou-se um risco calculado que Ciro prefere evitar.
Leia a seguirSaiba quem disputa o governo estadual em PernambucoRedes sociais divididas e foco nos municípios Para viabilizar sua reeleição ao Senado Federal, Ciro Nogueira adotou uma comunicação segmentada. Nas redes sociais, sua equipe criou um perfil voltado exclusivamente às pautas locais (@cironogueirapiaui). Nele, o senador dá ênfase à liberação de emendas parlamentares, convênios com prefeituras e entregas de obras no interior, evitando o embate ideológico nacional.
Quando escolhe um alvo político no estado, Ciro direciona suas críticas ao atual governador, Rafael Fonteles (PT), poupando a imagem de Lula. Paralelamente, em sua conta nacional, os ataques diretos ao Palácio do Planalto arrefeceram sensivelmente nos últimos meses, sinalizando uma tentativa de equilibrar a narrativa.
Acenos ao eleitorado lulista No interior do Piauí, o pragmatismo fala mais alto. Durante agendas públicas, não é incomum ver o senador transitar entre eleitores simpáticos ao PT, chegando a aceitar adesivos da campanha de Lula sem criar atritos. A intenção é capturar o eleitor "Lula-Ciro": aquele que vota no presidente para o Executivo nacional, mas reconhece os recursos federais destinados por Ciro aos municípios piauienses.
Além disso, aliados apontam que o senador busca evitar palanques locais com nomes expressivos do bolsonarismo nacional — como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) —, temendo que a associação direta ao movimento conservador afaste parcelas expressivas do eleitorado do estado.
Sem apoiar formalmente o governo federal, mas também sem mover uma cruzada antilulista em seu berço político, Ciro Nogueira tenta se consolidar em um centro pragmático, onde o envio de verbas e a presença municipalista se sobrepõem às polarizações da capital federal.






